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Polícia trata como terrorismo atropelamento de fiéis em Londres


19/06/2017

A polícia de Londres, no Reino Unido, trata como atentado terrorista o atropelamento de pessoas em frente a uma mesquita na madrugada desta segunda-feira (0h20 no horário local, 20h20 em Brasília), 19, na região do Finsbury Park, no norte da capital britânica. Uma pessoa morreu e dez ficaram feridas, segundo a Scotland Yard. Um homem suspeito de ter conduzido a van em direção aos pedestres, na Avenida Seven Sisters, foi preso. Todas as vítimas fazem parte da comunidade muçulmana.

 

"Uma pessoa foi presa. O caso está sendo tratado como um ataque terrorista", afirmou o coordenador de contraterrorismo da Scotland Yard, Neil Basu, que também disse ser cedo para determinar a motivação do ato. O Conselho Muçulmano Britânico afirmou, por meio do Twitter, que se tratou de "um violento ato de islamofobia".

 

A primeira-ministra Theresa May anunciou que participará de uma reunião de emergência na manhã desta segunda para analisar o caso. O prefeito de Londres, Sadiq Khan, disse que o crime foi um "ataque contra todos os valores de tolerância, liberdade e respeito". Ele garantiu que equipes policiais já estavam reforçando a segurança de comunidades, em especial aquelas que aderem ao Ramadã.

 

A polícia foi acionada 0h20 e as ruas próximas ao Finsbury Park foram fechadas. Segundo a Scotland Yard, oito pessoas feridas foram levadas a três hospitais diferentes na capital e outras duas pessoas foram tratadas no local em razão de ferimentos leves.

 

Os pedestres atropelados eram fiéis que estavam saindo da Mesquita Finsbury Park após a última oração no mês sagrado do Ramadã. Segundo relatos à rádio BBC, uma van se aproximou devagar da mesquita e, em seguida, acelerou propositalmente. Testemunhas disseram que havia três pessoas dentro da van, duas conseguiram fugir e uma foi dominada pelos pedestres. De acordo com as placas do veículo, ele seria de Gales e teria sido alugado.

 

Mohammed Kozbar, imã da mesquita, manifestou-se pelo Twitter. “Nossos pensamentos e orações estão com aqueles que ficaram feridos ou foram afetados por esse ataque covarde na região de Finsbury Park”.

 

Em 2005, o epicentro do jihadismo em Londres ficava no distrito de Finsbury Park, mais precisamente na mesquita de Finsbury Park, à época controlada pelo imã extremista Abu Hamza al-Masri, condenado à prisão perpétua nos EUA após ser extraditado por envolvimento com a Al-Qaeda.

 

Al-Masri foi, ao lado do advogado Anjem Choudary, fundador do grupo jihadista Al-Muhajiroun – “Os Emigrantes” –, uma das personalidades mais controvertidas do Reino Unido por pregar abertamente a guerra santa e o terrorismo.

 

Al-Masri se tornou imã da mesquista de Finsbury Park em 1997, quando ela ganha a reputação de um centro de islamismo radical em Londres. Al-Masri fazia praticamente todos os sermões. No primeiro aniversário dos ataques de 11 de setembro, ele foi um dos organizadores de uma palestra na mesquita elogiando a ação dos sequestradores.

 

Cinco anos depois, soube-se, durante o julgamento dos homens posteriormente condenados pelos atentados fracassados em 21 de julho de 2005 em Londres, que vários dos autores haviam frequentado a mesquita de Abu Hamza.

 

Medo

Esse atropelamento revive o sentimento de medo na capital britânica, que viveu dois recentes ataques com o uso de veículos. No dia 22 de março, um britânico de 52 anos jogou um carro contra pedestres na Ponte de Westminster, matando quatro. Em seguida, o homem esfaqueou um policial - que também morreu - e foi morto pela polícia.

 

No dia 3 de junho, em um ataque terrorista, uma van atropelou diversas pessoas na Ponte de Londres e, em seguida, três homens desceram e esfaquearam pessoas perto do Mercado Borough e num restaurante na Rua Stoney. Os três terroristas foram mortos pela polícia logo em seguida. Pelo menos oito pessoas foram mortas no atentado, com outras 48 ficando feridas.

 

O ataque, ocorrido dias antes das eleições legislativas no Reino Unido, levou à perda de maioria absoluta no Parlamento do Partido Conservador da primeira-ministra Theresa May.            

 

Estudos de diferentes universidades e centros de pesquisas na Europa e EUA revelam que ataques terroristas têm impacto em votações. Na base de todos os estudos está a capacidade de o terrorismo causar pânico em um grande número de pessoas, principalmente em centros urbanos. O impacto, segundo psicólogos, vai além dos que foram alvos do ataque e pode ser registrado também numa comunidade inteira que se sente ameaçada. É essa insegurança que levaria a uma atitude que fugiria da lógica partidária.

 

Em estudo do ano passado, do departamento de psicologia política da Universidade de Maryland, pesquisadores mostraram que o impacto seria mais complexo do que a mera mudança de voto, mas os eleitores estariam mais dispostos a adotar posições mais extremistas. No estudo, foi constatado ainda que, ao sofrer um ataque, uma comunidade estaria mais propensa a aceitar regras não democráticas, em especial contra minorias vistas como ameaça. 

 

Fonte: Estadão

 


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