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Crise dos Estados Unidos elimina 1,5 milhão de vagas de emprego


09/10/2017

A economia americana criou cerca de 16 milhões de vagas nos oito anos desde o fim da grande recessão (2008-09). A taxa de desemprego, que chegou a 10% em 2009, está abaixo de 5%, e os salários, depois de uma longa espera, começaram a subir.

 

Ainda assim, apesar desse cenário de melhora, as feridas da recessão não cicatrizaram para um grupo expressivo de trabalhadores. E a grande dúvida é se essas cicatrizes vão realmente sarar.

 

Em agosto, 78,4% dos americanos que estão no auge do seu período de trabalho (normalmente definido entre 25 e 54 anos) estavam empregados. O número representa uma queda de 1,3 ponto percentual em relação ao início da recessão dos EUA.

 

Essa diferença parece pequena, mas representa o desaparecimento de mais de 1,5 milhão de trabalhadores da economia americana.

 

Pesquisas mostram que muitos caíram nas drogas ou na pobreza. Mas a questão é como uma recuperação que já dura oito anos pode ter deixado de incluir tanta gente.

 

Ela é um reflexo de fraqueza econômica persistente –algo que as tradicionais políticas de estímulo econômico ainda podem resolver– ou é o resultado de forças de longo prazo como a automação, a globalização e as mudanças na demografia do país?

 

Há evidências recentes que sinalizam que o impacto da recessão ainda é sentido pela força de trabalho dos EUA.

 

Trabalho recém-publicado pelo economista Danny Yagan, da Universidade da Califórnia, Berkeley, usou declarações anônimas de Imposto de Renda de mais de 1 milhão de trabalhadores durante a recessão e na sua sequência.

 

Ele descobriu que, nos lugares que foram atingidos com mais força pela recessão, os efeitos ainda são duradouros: milhares de trabalhadores que perderam seus empregos tiveram dificuldades para se reposicionar no mercado e, no fim das contas, desistiram de procurar vagas.

 

Muitos, segundo os dados de Yagan, ainda não encontraram trabalho.

 

"Os sinais mostram que a recessão acabou, mas o emprego ainda não voltou ao normal", disse Yagan. "Os efeitos da recessão não deveriam durar tanto tempo."

 

A teoria econômica tradicional defende que os danos provocados por recessão geralmente são de curta duração. Pela maior parte do século 20, a economia americana rapidamente se recuperou de retração, e os funcionários que perderam emprego logo voltaram a trabalhar.

 

Alguns economistas chegavam até mesmo a elogiar os efeitos de "limpeza" das recessões, por eliminarem companhias improdutivas.

 

Mais recentemente, no entanto, esse padrão parece ter mudado. Os Estados Unidos se recuperaram lentamente da recessão do início do século (que foi relativamente moderada) com a bolha da internet, e a retomada atual tem sido anêmica de acordo com vários indicadores.

 

O crescimento médio da economia dos EUA desde o fim da recessão tem sido de 2,2%, metade do obtido no período seguinte à crise do começo dos anos 1980.

 

Alguns lugares tiveram resultados ainda piores: pesquisas mostram que grandes parte do país, inclusive cidades como Cleveland e Memphis, não tiveram recuperação econômica.

 

Para Yagan e muitos economistas liberais (pela concepção americana), a solução é simples: crescimento econômico mais forte e duradouro. Se a economia fraca é a doença, uma economia forte seria a cura.

 

Por esse ponto de vista, é preciso mais estímulos como juros baixos e aumento do gasto com infraestrutura.

 

Outros economistas, no entanto, têm dúvidas se uma recuperação, por mais forte que seja, seria capaz de fazer retornar ao mercado de trabalho pessoas que ficaram tanto tempo afastadas.

 

O ex-secretário do Tesouro dos EUA Lawrence Summers, economista de Harvard, afirma que, com a pesquisa de Yagan e outras evidências, "fica difícil de escapar da conclusão" que os danos provocados por recessões à economia agora são permanentes –ou, pelo menos, praticamente permanentes.

 

Ou seja, a recessão pode ter sido o fator que tirou as pessoas do mercado de trabalho, mas a retomada econômica, sozinha, pode não ser suficiente para fazer com que elas voltem a ter emprego.

 

"Há um grupo grande de pessoas que perdeu o trabalho por causa da recessão, mas não estão conseguindo função nem em lugares em que o desemprego caiu."

 

Fonte: Folha de S.Paulo


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