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Brasileiro tem de trabalhar 7 meses para comprar iPhone X, diz pesquisa


10/11/2017

O consumidor brasileiro precisa de sete meses e meio de trabalho para conseguir comprar o novo iPhone X, enquanto, para um australiano, 12 dias de trabalho são suficientes para adquirir o novo smartphone da Apple, lançado na última semana. Em outras palavras, no Brasil é necessário trabalhar quase 13 vezes mais tempo que no país dos cangurus para se obter o mesmo produto.

 

O cálculo, realizado pelo professor de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA) e blogueiro do Estado, Alexandre Cabral, leva em conta o valor dos salários mínimos de 29 países com os preços do modelo de 256 GB do celular indicado nos sites da Apple nesses locais. 

 

Foram desconsiderados os países que não possuem política de salário mínimo, ou naqueles onde não era possível estimar seu valor exato. 

 

"As regras do salário mínimo são muito particulares nos diferentes lugares, e há benefícios e questões sociais envolvidas, mas o valor líquido recebido é uma realidade e é através desse salário que o trabalhador vai comprar o aparelho", explica Cabral.

 

Nesse ranking, o Brasil, cujo salário mínimo atualmente é de R$ 937 e o modelo top de linha do iPhone X custa R$ 7.019,10, está entre os três países mais caros para se comprar o celular. 

 

Só é pior no México e na Rússia, onde são necessários mais horas de trabalho, frente ao salário mínimo, para se comprar o mesmo aparelho: 2.699 e 1.981 respectivamente. 

 

Por outro lado, é preciso menos esforço para comprar o produto em locais como Nova Zelândia, Canadá e Luxemburgo, onde as horas trabalhadas necessárias não chegam a 200. 

 

Já os EUA, de acordo com a metodologia utilizada por Cabral, não aparece nas primeira posições do ranking, mas mesmo assim dá muito menos trabalho comprar o produto por lá. Com 158 horas é possível reunir a quantia suficiente para sair da loja com um celular novinho em folha. 

 

Se a comparação for em dólar, o Brasil ganha o título de ter o iPhone mais caro do mundo. Considerando um câmbio a R$ 3,28, o celular custaria US$ 2.136,65. Em segundo lugar, vem a Turquia, onde o aparelho custa US$ 1.778,37 e, em terceiro, a Hungria, com US$ 1.634,07.

 

Nesse ranking, que considera os 36 países com preços definidos no site da Apple, o Japão é o lugar onde se vende o produto pelo preço mais baixo: US$ 1.136,91. 

 

"É importante frisar, no entanto, que esse tipo de comparação não leva em consideração, necessariamente, o poder de compra da população em cada um dos países analisados", explica Cabral.

 

Impostos. Um dos motivos que encarecem o produto no Brasil é o fato de a Apple não produzir o iPhone por aqui. Quase 60% do valor final do celular é de impostos, em especial o ICMS e o de importação, afirma Tiago Slavov, professor da Fecap e especialista em tributação. 

 

Além disso, explica Tiago, há outros componentes no processo de formação de preços que elevam os valores dos produtos da marca no País. Entre eles está a estratégia da Apple de limitar a sua capilaridade no mercado brasileiro - ao abrir menos lojas para as vendas - o que impacta toda a sua cadeia de comercialização, uma vez que a demanda será maior que a oferta, elevando os preços nas lojas.

 

Outro ponto importante é o chamado "preço âncora", que nada mais é do que vender seu produto a um valor mais elevado para puxar para cima os preços dos smartphones dos concorrentes. 

 

"Essa estratégia pode ser arriscada, mas estudos da economia comportamental já demonstraram que os clientes não reagem de forma negativa com uma subida generalizada dos preços de um determinado produto. As pessoas acabam se adaptando aos novos valores, e empreendem mais esforços financeiros para comprá-lo", explica o especialista.

 

Fonte: Estadão


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