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Prefeitura de Osasco aponta escoriações múltiplas em cadela; Carrefour diz que não se eximirá de responsabilidade


05/12/2018

Imagens de câmera de segurança comprovam maus-tratos à cadela que morreu após ser resgatada de uma loja do Carrefour em Osasco, na Grande São Paulo, segundo a delegada Silvia Fagundes.

 

A declaração foi dada a Luisa Mell, que esteve na Delegacia do Meio Ambiente nesta terça (3). “A agressão, com essas imagens que conseguimos agora, ficou comprovada. Não tem mais dúvidas que esse segurança realmente agrediu o cachorro”, disse a delegada, em transmissão pelo ‘stories’, no Instagram da protetora e ativista.

 

De acordo com o vereador Ralfi Silva (Podemos), que acompanhava Luisa, o objeto usado contra o animal foi apreendido –uma barra de alumínio.

 

A morte ocorreu no último dia 28, e o inquérito sobre o caso foi instaurado na terça (2). Acionado para resgatar o cãozinho, o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) diz que havia a informação de atropelamento, e não vítima de maus-tratos. Denúncias sobre a agressão surgiram depois, pelas redes sociais.

 

Em nota divulgada nesta terça, a Prefeitura de Osasco afirma que o Departamento de Fauna e Bem Estar Animal foi acionada para resgatar o bichinho, que estava ferido e sangrando. Ele foi encaminhado para atendimento emergencial, mas não resistiu. Segundo a administração municipal, a cadela tinha pressão baixa, vomitava com sangue e tinha escoriações múltiplas.

 

Testemunhas ouvidas no fim de semana no hipermercado confirmaram agressões, afirma o delegado Bruno Lima, deputado eleito pelo PSL. Para ter validade, no entanto, esses depoimentos precisam ser prestados formalmente, à Polícia Civil. Funcionários e testemunhas devem ser chamados durante o inquérito.

 

O Carrefour informou que o segurança terceirizado que trabalhava naquele dia foi afastado preventivamente. Nesta terça, também em nota, a empresa reconhece que “um grave problema” ocorreu na loja e afirma que não vai se eximir de responsabilidade.

 

“Estamos tristes com a morte desse animal. Somos os maiores interessados para que todos os fatos sejam esclarecidos. Por isso, aguardamos que as autoridades concluam rapidamente as investigações”.

 

O CASO

A cadela estava havia alguns dias no supermercado e era alimentado por alguns funcionários. No dia 28, porém, o CCZ diz ter sido acionado para resgatar o animal ferido, com a informação de que ele teria sido atropelado.

 

Imagens que mostram manchas de sangue no chão, próximo ao cachorro, começaram a circular nas redes dois dias depois. Informações desencontradas se seguiram. Além da versão de atropelamento e da denúncia de espancamento, foi levantada a possibilidade de envenenamento.

 

Com essa demora para a acusação de agressão vir à tona e, consequentemente, para o registro do boletim de ocorrência, o corpo seguiu destino previsto e foi incinerado, o que prejudica as investigações.  Câmeras e depoimentos, no entanto, auxiliam a polícia a esclarecer o caso.

 

Na segunda (3), o Carrefour afirmou que, no dia do incidente, clientes haviam se queixado sobre a presença do cão, e um funcionário de empresa terceirizada tentou afastá-lo, o que “pode ter ocasionado um ferimento na pata do animal”. Na ocasião, a empresa disse repudiar qualquer tipo de maus-tratos e colaborar com as investigações, fornecendo informações e imagens.

 

A morte provocou reações. No noite de sábado (1º), um grupo protestou na unidade. Nas redes sociais, uma série de imagens homenageia a cadelinha.

 

Maus-tratos contra animais é crime previsto em lei e que pode render pena de detenção de três meses a um ano, além de multa.

 

Fonte: Folha de S.Paulo

 


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