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Empresas e motoristas de guincho anunciam paralisação da categoria durante Páscoa


18/04/2019

Empresas de guincho e motoristas autônomos anunciaram nesta quarta-feira (17) que a categoria entrará em greve a partir do próximo sábado (20). Lideranças dos guincheiros reclamam da baixa remuneração recebida das empresas de seguro — que contratam o serviço de guincho — e o descumprimento da tabela mínima de frete. 

 

A classe reivindica reajuste emergencial imediato, com pagamento mínimo a partir de R$ 2 por quilômetro rodado, além de R$ 150 fixos, por saída. Atualmente, diz a categoria, o valor médio pago é de R$ 1,40 por quilômetro, mais o valor fixo de R$ 65.

 

Além disso, os motoristas de guincho reclamam do não cumprimento de parecer já atendido pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que reconhece a atividade da categoria como transporte de carga, e não apenas como prestadores de serviço. 

 

"No momento que o veículo precisa ser rebocado e é colocado em cima do guincho, ele foi colocado no compartimento de carga. De acordo com a Lei 13703 de 2018 [uma das reivindicações logradas pela paralisação dos caminhoneiros em 2018 e que estabelece as tabelas do frete], a norma deve ser aplicada ao transporte de carga de uma forma geral, que é o caso dos guincheiros. A ANTT fala da intensificação da fiscalização, cobrando o respeito à tabela mínima do frete. Mas o que está faltando é enxergar que o setor de guinchos também está incluído nisso", explica o advogado da categoria, Marcelo José Araújo.

 

Com a paralisação programada, os guincheiros afirmam que clientes de pelo menos 20 companhias de seguros do país ficarão sem a garantia de guincho, caso necessário, a partir do sábado.

 

"Não atenderemos seguradoras e nem assistências 24h, devido a diversas tentativas sem sucesso para atualização de tabela. Temos prestadores na categoria hoje sem atualização há 8 anos. Então, não tem mais condições. A categoria resolveu por um fim nisso e essa paralisação vai acontecer", disse Eduardo Pinheiro, da UNG (União Nacional dos Guinchos), também conhecido como 'Chorão dos Guincheiros', em alusão ao líder dos caminhoneiros que esteve à frente das paralisações da categoria em 2018. 

 

Pinheiro não soube informar quantos guincheiros pretendem aderir à greve, mas, segundo ele, está prevista a mobilização de motoristas da categoria em todo o país.

 

O presidente da Aguisp (Associação das Empresas de Guincho do Interior de São Paulo), Hamilton Pereira, diz que a categoria opera numa situação "deplorável" de desvalorização e não cumprimento da lei. 

 

"Se você pede um táxi hoje, você vai pagar em média R$ 3,10 por quilômetro. Se você pedir um guincho, a maioria das seguradoras paga em média de R$ 1,30 a R$ 1,40 o quilômetro rodado. Ou seja, o guincheiro, que transporta veículos caríssimos e responde pela responsabilidade de danos causados aos veículos para as seguradoras, recebe menos de 50% de uma corrida de táxi. E ele tem que investir quatro, cinco vezes mais para montar um caminhão guincho do que para montar um táxi", explica.

 

Hamilton diz ainda que a categoria vai entrar com pedido na Fenaseg (Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização) e na Susep (Superintendência de Seguros Privados) para que a resolução recente da ANTT seja efetivamente aplicada.

 

"A resolução diz que o setor de guinchos também tem que ser contemplado no cumprimento da tabela de fretes, por entrar na categoria de transporte de cargas. Quando as seguradoras obedecerem à decisão do órgão, o problema vai ser sanado", disse ele.

 

OUTRO LADO

Em nota, a CNSeg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização), que responde pela Fenaseg, informou que "a informação não foi confirmada pelos provedores de serviços emergenciais". 

 

A ANTT disse que não está acompanhando o movimento de greve da categoria, mas que intensificou as ações de fiscalização da Política Nacional de Pisos Mínimos, conforme solicitação do governo federal.

 

"Destacamos que em razão da heterogeneidade dos serviços de Transporte Rodoviário de Cargas, demandas como a da categoria devem ser tratadas no âmbito de audiência pública. O período de recebimento das contribuições encontra-se aberto até 24 de maio. Haverá cinco sessões presenciais nas cidades de São Paulo, Belém, Recife, Brasília e Porto Alegre", informou a agência.

 

A Susep não havia respondido ao pedido de nota até a publicação da reportagem.

 

Fonte: Folha de S.Paulo

 


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