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Empresário quer salvar o mundo com hambúrguer vegano que sangra


13/05/2019

Um professor de bioquímica de 64 anos, Pat Brown, se destaca entre os muitos jovens fundadores de startups bilionárias no Vale do Silício. 

 

Mas o que ele não tem de juventude compensa em ambição. Em vez de simplesmente mudar o mundo, Brown pretende salvá-lo, e um novo acordo anunciado recentemente entre sua startup de carne à base de plantas, Impossible Foods, e a Burger King é um grande passo para se alcançar a meta de reduzir as emissões de carbono geradas pela indústria da carne.

 

Brown é conhecido na comunidade científica por sua pesquisa em genética e microbiologia —inclusive a definição do mecanismo pelo qual o vírus HIV infecta as células.

 

Depois de tirar uma longa folga de seu trabalho como professor na Universidade Stanford em 2010, ele quis encontrar um problema global em que pudesse fazer uma verdadeira diferença.

 

Concluiu que descobrir as causas do câncer ou do mal de Alzheimer era secundário aos danos ambientais causados pelo consumo de carne e laticínios. “Nada chega remotamente perto do impacto ambiental catastrófico da indústria [pecuária]”, diz ele.

 

Dos gases do efeito estufa produzidos pelo gado aos efeitos negativos para a terra e a água, ele está convencido de que os seres humanos estão correndo para o desastre ecológico, a menos que o consumo de carne e leite seja reduzido ou mesmo eliminado.

 

Brown rapidamente percebeu que em vez de pregar uma mudança nos hábitos alimentares ou fazer lobby para mudar os regulamentos oferecer aos consumidores proteínas alternativas saborosas seria a maneira mais eficaz de produzir mudanças.

 

Um vegano corredor de maratonas, ele não come carne há quase 50 anos, e laticínios há mais de 15. “Se você conseguir descobrir o que torna a carne deliciosa você pode salvar o planeta de uma catástrofe ambiental”, diz Brown com um fervor messiânico.

 

Com o apoio da investidora do Vale do Silício Khosla Ventures, ele lançou a Impossible em 2011, reunindo uma equipe que incluía bioquímicos moleculares, químicos e cientistas de dados, para fazer uma carne à base de plantas a partir do nível molecular.

 

Samir Kaul, sócio fundador da Khosla com um passado na genômica que consultava Brown em seu tempo de cientista, diz que apoiá-lo foi uma decisão fácil. “Ele tem um histórico de encarar grandes desafios e, francamente, vencer.”

 

A Impossible descobriu que “heme”, uma molécula proteica que contém ferro e está presente em plantas e animais, era o ingrediente mágico que dava à carne seu aroma, sabor e textura. Heme, produzida através de engenharia genética e fermentação de levedo, também está por trás dos “sucos” que fazem o hambúrguer da Impossible sangrar.

 

Em 2016 ela lançou uma carne feita de trigo e proteínas de batata, óleo de coco e heme, que tinha aparência, sabor e cheiro de um verdadeiro hambúrguer, e fritava com o mesmo ruído.

 

Mesmo antes que a Impossible lançasse um produto, Brown recusou uma oferta da Google de centenas de milhões de dólares pela companhia, em 2015. “Para Pat Brown pessoalmente, seu motivo de fazer isso não é ficar rico. É tornar o mundo um lugar melhor”, diz Kaul.

 

Em 2019, a empresa lançou um hambúrguer novo e aperfeiçoado, depois de trocar o trigo por soja e usar menos sal. Depois de assinar o acordo de distribuição com a Burger King, está levantando fundos para aumentar a capacidade de sua instalação de produção em Oakland, na Califórnia. 

 

Juntamente com a rival Beyond Meat, que está preparando sua entrada na Bolsa dos Estados Unidos, a Impossible tentou atrair consumidores de carne que querem reduzir a ingestão de carne ou procuram opções mais saborosas, atirando a rede além dos veganos.

 

O teste da Burger King está começando em St. Louis, no Missouri, mas a Impossible espera estar disponível em todos o país até o final do ano. Ela esteve gradualmente expandindo a disponibilidade do seu hambúrguer de restaurantes de classe, como o Momofuku Nishi em Nova York e o Jardiniere em San Francisco, a grandes redes americanas como Cheesecake Factory e White Castle.

 

Brown parece ter assumido com facilidade seu papel de empreendedor. Disse a investidores que se o apoiassem ele os tornaria “loucamente ricos”.

 

Seus pronunciamentos de que não se importava com saídas foram vistos como arrogância por alguns capitalistas de risco. No entanto, ele ainda levantou mais de US$ 475 milhões desde 2011 e atraiu muitos outros apoiadores, como Viking Global, Bill Gates e a Horizons Ventures de Li Ka-shing. Os investidores esperam que a última captação de fundos valorize a companhia em mais de US$ 1 bilhão.

 

Bruce Friedrich, que lançou o Good Food Institute, uma companhia americana sem fins lucrativos que promove proteínas alternativas e assessora startups, chama Brown de “profeta” e elogia seu “otimismo infeccioso”.

 

Nem tudo foi navegação tranquila. A Impossible reduziu o conteúdo de sal de seu novo hambúrguer depois que ativistas pró-saúde o criticaram pelo excesso. Ela teve de esperar vários anos para que a Administração de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos no ano passado reconheceu que o “heme” era “geralmente reconhecido como seguro”. Ela também defendeu o teste de seus produtos em ratos depois de críticas do grupo de direitos dos animais Peta. Se o hambúrguer da Impossible fizer sucesso, Brown espera eliminar a carne animal da rede alimentar até 2035, ajudando a Terra a restaurar sua cobertura vegetal.

 

“A metade da área terrestre do planeta foi perturbada de maneira significativa e destrutiva pela pecuária”, diz ele. “Por isso nossa substituição dessa indústria com uma pequena fração da terra e do impacto ambiental, e resultante recuperação dos ecossistemas, será visível do espaço exterior.”

 

Fonte: Folha de S.Paulo


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