As resoluções da COP 30 e o mundo do trabalho
10/12/2025
A COP 30, realizada este ano em Belém (PA), terminou com avanços importantes, mas também com lacunas que exigem atenção. As decisões tomadas, ou adiadas, influenciam diretamente a vida de quem trabalha no campo, na indústria, nos serviços e nas cadeias globais de produção.
Potencial de transformação
O acordo final reforçou o compromisso internacional com o financiamento climático e abriu expectativa para a ampliação dos recursos destinados à adaptação nos países mais vulneráveis.
Brasil e Colômbia apresentaram mapas iniciais para reduzir o uso de combustíveis fósseis e conter o desmatamento ainda em 2025. Essas iniciativas podem estimular empregos verdes, fortalecer ações de conservação e ampliar a proteção de trabalhadores rurais e de comunidades que dependem diretamente dos ecossistemas.
Outro ponto positivo foi a aprovação do programa de transição justa, que reconhece a necessidade de proteger profissionais, comunidades vulneráveis e povos indígenas durante a mudança para modelos produtivos sustentáveis. A conferência ainda reiterou o reconhecimento dos direitos de povos indígenas e afrodescendentes no contexto da crise climática, influenciando áreas como conservação, extrativismo, uso responsável da terra e novas cadeias produtivas de baixo carbono.
Para países e empresas que desejam investir em atividades de baixo impacto ambiental, surge uma oportunidade de expansão. Setores como energias renováveis, manejo florestal responsável e bioeconomia podem gerar novos empregos e fortalecer economias locais.
Limitações e riscos para a classe trabalhadora
Apesar do progresso, a versão final do documento deixou de estabelecer prazos obrigatórios para a redução gradual do uso de combustíveis fósseis. A ausência de um compromisso concreto reflete a pressão de países produtores de petróleo e de outras economias dependentes desses recursos.
Também não houve definição de um plano global para conter o desmatamento, mesmo com a crescente degradação ambiental que afeta diretamente comunidades rurais, populações tradicionais e trabalhadores da floresta. Na prática, muitas propostas permanecem restritas ao papel.
Como resultado, pessoas que dependem de setores intensivos em carbono, como mineração, agropecuária extensiva ou exploração florestal, podem permanecer vulneráveis. A mudança para iniciativas verdes tende a ser lenta e desigual, aumentando a insegurança diante do futuro.
A ausência de metas claras ainda dificulta a elaboração de políticas de requalificação, proteção social e planejamento de longo prazo, especialmente para profissionais que dependem de cadeias produtivas associadas à matriz fóssil.
A COP 30 deixa para o Brasil e para os sindicatos o desafio de acompanhar de perto a implementação das decisões e garantir que a transição para uma economia de baixo carbono inclua mecanismos reais de proteção e requalificação para os trabalhadores.
O Sindicato dos Comerciários de São Paulo esteve com uma delegação e participou da COP30, em Belém, reafirmando a importância de incluir a classe trabalhadora no centro do debate climático. As discussões destacaram que as mudanças climáticas já têm impacto direto no mundo do trabalho e, no comércio, isso se evidencia no aumento do calor extremo que atinge vendedores e vendedoras expostos ao ar livre, além de chuvas torrenciais e ventanias que dificultam deslocamentos, ampliam riscos e comprometem a saúde de quem está diariamente na linha de frente.
Ao levar essa realidade para a conferência, o Sindicato reforçou que a transição climática não pode ser tratada apenas sob a ótica dos governos e empresas. É essencial garantir políticas públicas, proteção e condições dignas para quem atua em ambientes vulneráveis. A participação na COP30 evidenciou que enfrentar a crise climática é também defender trabalho decente, segurança, renda e justiça social para milhões de trabalhadores e trabalhadoras do comércio em todo o país.

