160 anos da 25 de Março

25/03/2026

Imagem: Freepik

No coração de São Paulo, a Rua 25 de Março completa 160 anos como o maior polo de comércio popular do Brasil. Sua trajetória começa ainda no século XIX, acompanhando o crescimento da cidade e a chegada de imigrantes — especialmente árabes — que encontraram na região uma oportunidade de trabalho e sobrevivência. Esses trabalhadores (as)  ajudaram a formar um comércio forte, diverso e acessível, que até hoje atrai multidões. O nome da rua é uma homenagem ao Dia Nacional da Constituição. Em 25 de março de 1824, Dom Pedro I outorgou a primeira Constituição brasileira, estabelecendo as bases políticas do país após a Independência, e a denominação oficial da via ocorreu em 28 de novembro de 1865, por iniciativa do vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra.

Com o passar do tempo, a 25 de Março deixou de ser apenas um ponto de venda de tecidos e armarinhos e se transformou em um centro comercial completo, com enorme variedade de produtos. Ao longo desse processo, a região também passou a contar com a forte presença de comerciantes de diferentes origens, japoneses, coreanos e chineses, que contribuíram para diversificar ainda mais o comércio e consolidar sua identidade multicultural. A localização estratégica, próxima aos principais meios de transporte, ajudou a firmar a região como referência nacional em consumo popular. Hoje, cerca de 400 mil pessoas circulam diariamente pela região, número que pode chegar a quase um milhão em períodos de grande movimento, como o fim de ano. Para dar conta dessa dinâmica, aproximadamente 40 mil comerciários trabalham diretamente nas lojas e galerias, além de milhares de outros profissionais que dependem da atividade local.

Nesse cenário, o Sindicato dos Comerciários de São Paulo tem papel importantíssimo. Estando presente em uma das áreas mais movimentadas do país e acompanhando  de perto a realidade da categoria, atuando na defesa de direitos, na orientação dos trabalhadores (as) . Quem vive essa rotina diariamente é o vendedor Osório Aparecido de Andrade, que destaca: “A região também desempenha um papel fundamental na dinâmica urbana, com grande circulação diária de pessoas, impactando diretamente o transporte, o turismo e o comércio da cidade. Mais do que um centro de compras, a 25 de Março representa a força do empreendedorismo, da resiliência dos comerciantes e da importância do comércio popular para a economia de São Paulo.”

A história recente da rua também mostra a presença constante do sindicato. Em 2015, o Sindicato levou à rua vários “papais noéis”, em analogia ao trabalhador que está de “saco cheio” do descaso, da informalidade, excesso de jornada de trabalho e do desemprego. Em 2022, realizou assembleia e homologação para 80 trabalhadores da Matsumoto, loja da região que sofreu um incêndio, garantindo direitos e apoio aos atingidos. Em 2025, a rua foi palco de grande ato em defesa dos empregos e da soberania nacional, após o presidente americano, Donald Trump acusar de ser um local que só vende coisas falsificadas. Esta ação foi conjunta com a  União Geral dos Trabalhadores (UGT), com apoio de diversas entidades sindicais.

Apesar da força econômica da região, os desafios permanecem. Jornadas extensas, pressão por produtividade e informalidade continuam presentes no cotidiano de muitos profissionais. Mais do que um símbolo do comércio popular, a 25 de Março representa organização, luta e resistência



25 de Março, 160 anos de história


 A rua de comércio popular mais famosa do país, a 25 de Março, completou 160 anos de história. Mais do que um polo de compras acessíveis, o local preserva uma importante memória histórica do Brasil e segue como um dos maiores centros comerciais da América Latina.

Seu nome vai além de uma simples data: em 25 de março de 1824, Dom Pedro I promulgou a primeira Constituição brasileira, marco fundamental na organização política do país após a Independência. A oficialização da via ocorreu em 28 de novembro de 1865, por iniciativa do vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra.

Outro detalhe curioso está nas ruas que cruzam a região, como a Ladeira da Constituição, cujo nome também remete ao mesmo acontecimento histórico.

Atualmente, cerca de 400 mil pessoas circulam diariamente pela região, número que pode chegar a quase um milhão em períodos de maior movimento, como no fim de ano. Para sustentar essa dinâmica intensa, aproximadamente 40 mil comerciários trabalham diretamente nas lojas e galerias, além de milhares de outros profissionais que dependem da atividade local.

O comércio reúne desde ambulantes que ocupam as calçadas até lojas tradicionais. Um exemplo é Jorge Dibi, diretor do departamento São Jorge, ligado a uma loja com 70 anos de história e integrante da União dos Lojistas da 25 de Março. Ele atua na região desde 1987.

“Estou aqui desde criança. Meu pai era dono da loja e eu a frequentava durante as férias. Naquela época, era quase tudo voltado ao atacado e, aos poucos, o varejo foi ganhando espaço. Hoje, o cenário é bem diferente.”

De acordo com Jorge, a 25 de Março precisará se atualizar para acompanhar as mudanças do mercado. Ele também lembra que o perfil dos vendedores mudou ao longo do tempo: antes, predominava o uso de roupas sociais, como calça, camisa e sapato de bico fino, como forma de transmitir credibilidade aos clientes.

Outra figura importante na região é o comerciário que conhece bem cada detalhe do centro é Osório Aparecido de Andrade, gerente de uma loja de tecidos especializada em produtos finos.

“O dia a dia é gratificante. Estou há 50 anos na 25. Acordo às 4 da manhã para trabalhar e saio satisfeito. Sinto prazer em vender. Já atendi noivas e mães de noivas e sempre me destaquei nas vendas.”

Segundo ele, o perfil do consumidor também mudou: hoje, os clientes chegam mais decididos sobre o que querem comprar. Osório também aponta a falta de interesse dos jovens em trabalhar no comércio de rua como um dos desafios atuais do setor.

A 25 de Março não é apenas um centro de comércio movimentado; é um patrimônio histórico e cultural de São Paulo, que reflete a evolução do varejo e a vida de milhares de comerciantes e consumidores ao longo de mais de um século. Entre tradição e inovação, a rua continua sendo um ponto de encontro de histórias, trabalho e oportunidades, mostrando que, mesmo com as mudanças no mercado e no perfil dos clientes, sua relevância e vitalidade permanecem intactas.