SECSP se reúnem com trabalhadores das Casas Bahia após decisão que suspende demissões
19/08/2026
Diretores do Sindicato dos Comerciários de São Paulo (SECSP)
realizaram, na manhã desta quarta-feira (19), uma reunião com trabalhadores e
trabalhadoras das Casas Bahia para prestar esclarecimentos sobre a situação das
demissões e os desdobramentos da recuperação judicial da empresa. O encontro
ocorreu de forma híbrida, na sede do Sindicato, e reuniu aproximadamente 170 participantes.
A reunião aconteceu poucas horas após uma importante decisão
em defesa dos trabalhadores. Na noite de terça-feira (18), a juíza Karina Roberta Mousinho de matos da 11ª Vara do Trabalho de Brasília concedeu decisão liminar favorável aos trabalhadores do
Grupo Casas Bahia, em ação movida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores
no Comércio (CNTC), determinando a suspensão das dispensas coletivas
promovidas pela empresa.
A decisão determina o restabelecimento dos vínculos de
trabalho e estabelece uma série de medidas para proteger os direitos dos
trabalhadores, entre elas a preservação dos planos de saúde e benefícios
assistenciais, a proibição de novas dispensas coletivas sem a intervenção
sindical e a instauração obrigatória do diálogo com as entidades
representativas dos trabalhadores.
É importante esclarecer que a suspensão das demissões não
significa necessariamente que todos os trabalhadores dispensados terão de
retornar aos seus postos de trabalho. Muitos(as) dos(as) comerciários(as)
atingidos(as) pelas dispensas já manifestaram que não desejam voltar a
trabalhar na empresa. O objetivo imediato da medida é assegurar a preservação
dos direitos trabalhistas e impedir que esses trabalhadores sejam submetidos às
condições da recuperação judicial como simples credores.
A decisão é considerada estratégica porque, em um processo
de recuperação judicial, os credores podem ter de aguardar um período
prolongado para receber os valores devidos, conforme o plano de recuperação
aprovado. Já as verbas decorrentes de uma rescisão contratual possuem prazos
legais específicos para pagamento, o que reforça a importância da suspensão das
dispensas e do restabelecimento dos vínculos.
Segundo Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos
Comerciários de São Paulo e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), a decisão
representa uma medida fundamental para proteger os trabalhadores neste momento
de grande insegurança.
“Essa medida é fundamental para garantir que os(as)
demitidos(as) recebam suas verbas trabalhistas o mais rápido possível e não
sejam colocados na fila de credores da recuperação judicial, onde o pagamento
pode levar alguns anos para ocorrer. O Sindicato continuará atuando firmemente
para garantir que nenhum trabalhador seja prejudicado”, afirmou Patah.
Veja as principais conquistas da decisão
Entre as medidas determinadas pela Justiça estão:
- Suspensão
das dispensas coletivas e restabelecimento dos vínculos de trabalho;
- Preservação
dos planos de saúde e benefícios assistenciais;
- Proibição
de novas dispensas coletivas sem intervenção sindical;
- Instauração
obrigatória do diálogo sindical;
- Preservação
das provas e documentos relacionados às dispensas;
- Obrigação
de transparência e prestação de informações, com prazo de 48 horas
para a empresa apresentar dados sobre demissões, lojas fechadas e demais
elementos da operação;
- Realização
de audiência de conciliação em caráter de urgência, com participação
do Ministério Público do Trabalho;
- Comunicação
ao Juízo responsável pela recuperação judicial sobre a existência da
ação trabalhista.
O descumprimento das determinações judiciais poderá resultar
na aplicação de multas diárias que podem chegar a R$100 mil com limite máximo de R$ 5 milhões.
Durante a reunião desta quarta-feira, Patah falou que a
entidade continuará acompanhando de perto o processo, cobrando transparência
das Casas Bahia e atuando para garantir que os direitos dos trabalhadores e
trabalhadoras sejam preservados.
Para o presidente do Sindicato, a decisão judicial
representa uma importante vitória da organização e da mobilização dos
trabalhadores, mas a luta continua. A prioridade, neste momento, é garantir que
nenhum trabalhador seja colocado em segundo plano diante da crise financeira da
empresa e que os direitos trabalhistas sejam respeitados.

