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Museus em alta: 1º semestre de 2019 tem recordes de público pelo Brasil


12/08/2019

No primeiro semestre de 2019, museus de arte e história no Brasil tiveram um forte aumento de público em relação ao mesmo período de anos anteriores. O crescimento tem surpreendido os diretores e equipes destas instituições, que tentam entender o fenômeno.

 

Os recordes não são só em exposições individuais, mas da frequência em geral. Em levantamento do G1 com 40 grandes museus em todas as regiões do Brasil, 37 cresceram. E três bateram recordes.

 

Na soma destes museus, o 1º semestre de 2019 registrou aumentos de 50% sobre a média do mesmo período nos últimos quatro anos e de 61% em relação a 2018 

 

G1 conversou com cinco diretores de grandes museus. Eles ainda não têm acesso a pesquisas formais sobre este aumento, mas atribuem o movimento a cinco motivos:

 

  • Interesse do público despertado em reação a fortes discussões sobre cultura em momento de cortes de verbas federais e estaduais e outros debates sociais acirrados do Brasil hoje;
  • Mais exposições que destacam minorias e grupos antes pouco representados;
  • Além de mais representado, o público 'se representa' mais em fotos de visitas no Instagram e outras redes, o que ajuda a divulgar as exposições;
  • "Corrida" por museus após o incêndio no Museu Nacional em setembro de 2018;
  • Políticas educativas e de inclusão adotadas por museus.

'Um ano em sete meses' no Masp

 

O Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), em SP, já tem em sete meses a maior visitação anual desde 2012, quando teve 556 mil visitantes - recorde histórico. E a marca deve ser batida. Até o final de julho deste ano, foram 533 mil pessoas.

 

O número se deve muito ao sucesso da exposição sobre Tarsila do Amaral, que superou as 402 mil pessoas e se tornou a mais vista da história do Masp. E as outras exposições e acervo permanente, mesmo com bem menos destaque e divulgação, também tiveram bom público.

 

A partir dos dados expressivos do Masp, o G1 pediu as informações de outros museus em todas as regiões do Brasil. Os dados que o levantamento obteve com 40 instituições indicam que o movimento é generalizado.

 

Volz acredita em um comportamento que reflete a situação política e econômica do país. "Estamos vivendo uma radicalização. E os museus são espaços de questionamentos e diversidades de opiniões", declarou.

"Neste momento político bastante singular, em que não tem havido incentivo à arte, é uma afirmação de que o público está sim interessado na produção", diz o curador do Masp Fernando Oliva.

 

 

As instituições incorporaram angústias sociais. No Museu de Arte da Bahia (MAB), com aumento de 120% entre 2015 e 2019, o diretor Pedro Arcanjo passou a promover debates e encontros sobre conjuntura política, sexualidade, raça e gênero, por exemplo.

 

"O MAB passava por uma crise cultural. Nós respondemos às questões colocadas pela sociedade brasileira, com diálogos contemporâneos", diz Pedro.

 

Público no espelho

Além de discussões, os museus levaram mais diversidade às mostras e investiram em exposições de mulheres, negros, indígenas e artistas não-europeus.

A exposição "Histórias afro-atlânticas" de 2018, com obras de artistas africanos, americanos e caribenhos, se tornou a sexta mais visitada da história do Masp.

De acordo com Oliva, o museu recebeu doação para a reserva técnica de obras de artistas indígenas e prepara uma exposição sobre o tema para 2021.

 

Também no segundo semestre de 2018, a Pinacoteca expôs a mostra "Mulheres radiciais: arte latino-americana, 1960-1985", dando visibilidade a artistas pouco conhecidas no Brasil.

 

No Rio de Janeiro, a realidade de comunidades remanescentes quilombolas foi exposta pelas salas do Museu de Arte Religiosa e Tradicional em 2018 e 2019, em Cabo Frio. A exposição "Terra de Quilombo, Retrato de uma Etnia" tinha fotografias de Ricardo Alves sobre o cotidiano, trabalho e cultura de grupos negros, com provocações sobre racismo e exclusão.

 

Fonte: G1

 


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