Saiba qual é o risco de contrair Covid-19 em uma viagem de avião

03/11/2020

Viajar de avião significa ficar em um local fechado com pessoas desconhecidas que podem ou não estar infectadas com o novo coronavírus. Mas, com o sistema de filtragem do ar das aeronaves e o uso de máscara, o risco de transmissão é reduzido.

O ar da cabine é renovado a cada três minutos. Metade desse fluxo vem de fora do avião e metade passa por filtros Hepa, sistema de alta eficiência que retém 99,9% dos vírus.

Além disso, não há correntes de vento no sentido do comprimento da aeronave. O ar sai do teto e flui para aberturas no chão, circulando praticamente dentro da mesma fileira de assentos.

Esse sistema garante ao passageiro um risco menor de contrair a Covid-19 do que no metrô ou numa sala de aula. É o que diz um artigo publicado neste mês na revista científica Jama (Journal of the American Medical Association) por pesquisadores de instituições dos EUA e da Suíça.

Os autores afirmam que, em todo o mundo, os casos suspeitos ou confirmados de transmissão do Sars-Cov-2 durante viagens de avião são aproximadamente 42.

Mas o artigo ressalta que, ainda assim, existe o perigo de contágio a partir do contato direto com um passageiro infectado, que é reduzido pelo uso de máscaras.

“O risco é baixo, mas não é zero. Onde há pessoas há risco de transmissão”, diz Gustavo Johanson, infectologista especializado em medicina do viajante do Hospital Israelita Albert Einstein.

Segundo ele, quem se senta ao lado, à frente ou atrás de alguém doente tem mais probabilidade de se infectar.

Além de tornar obrigatório o uso de máscaras, as três grandes companhias nacionais, Gol, Latam e Azul, reorganizaram o embarque e o desembarque —que agora é feito por fileiras para evitar tumulto na saída do avião.

As cabines passam por limpeza a cada viagem feita, e o serviço de bordo foi simplificado ou suspenso em voos de curta duração. Nenhuma das empresas brasileiras, porém, restringiu a ocupação das aeronaves —a americana Delta, por exemplo, anunciou que adotará a política de assentos do meio vazios até janeiro.

A própria Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo) não apoia a medida, porque a considera economicamente inviável.

A lotação do avião foi a maior preocupação do advogado Leonardo Zanutto, 55, ao viajar a Londrina, partindo do aeroporto de Guarulhos, para fazer um tratamento odontológico no início de setembro.

Ele conta que, tanto na ida quanto na volta, todos tiveram a temperatura medida antes de entrar na aeronave e que houve organização no embarque e no desembarque. “O problema foi ter que me sentar ao lado de outra pessoa. Não dá para manter o distanciamento.”

Fonte: Folha de S.Paulo