Retomada do mercado de trabalho deve permanecer lenta nesse início de ano

08/01/2021

Dois dos sete componentes do Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) registraram alta em dezembro, com destaque para os indicadores de Situação Atual dos Negócios do setor de Serviços e de Tendência dos Negócios da Indústria, que subiram 5,3 e 5,1 pontos no mês. No mesmo período, o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) registrou alta em todas as quatro faixas de renda familiar, pela segunda vez consecutiva. A maior contribuição para o resultado foi dada pela classe familiar com renda entre R$ 4,8 mil e R$ 9,6 mil, cujo indicador de Emprego local atual (invertido) variou positivamente 5,8 pontos na margem. 

 

O  IAEmp da Fundação Getulio Vargas subiu 1,2 ponto em dezembro, para 85,7 pontos, maior nível desde fevereiro de 2020, momento pré-pandemia no Brasil. Em médias móveis trimestrais, o IAEmp subiu 1,2 ponto, para 85,0 pontos.

 

“O resultado de dezembro mostra que ainda está em curso o processo de recuperação das perdas sofridas na população ocupada no início da pandemia. Apesar da melhora, ainda é preciso considerar o patamar baixo do indicador, inferior ao observado em fevereiro de 2020, período anterior à pandemia. O ritmo ainda deve permanecer lento nesse início de ano considerando o processo de transição dos programas emergenciais do Governo e alta incerteza”, afirma Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE.

 

O  ICD avançou 3,0 pontos para 102,6 pontos, maior nível desde janeiro de 2017, quando o indicador registrou o mesmo valor. O ICD é um indicador com sinal semelhante ao da taxa de desemprego, ou seja, quanto maior o número, pior o resultado. Em médias móveis trimestrais houve alta de 2,1 ponto, para 99,5 pontos, maior nível desde abril de 2017 (99,6 pts.).

 

“A piora pelo segundo mês consecutivo do ICD sugere aumento na taxa de desemprego nos últimos meses de 2020. Com o fim do auxílio emergencial em dezembro, muitos consumidores voltaram a buscar emprego e encontraram dificuldade de retornar ao mercado de trabalho com baixas perspectivas de melhora significativa no curto prazo”, de acordo com Tobler.

 

Fonte: FGV Ibre