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Quase 5 meses após megaoperação na Cracolândia, unidades de atendimento para usuários estão fechadas


11/10/2017

Quase cinco meses após a Prefeitura e o governo do estado realizarem uma megaoperação na Cracolândia, parte das unidades de atendimento aos usuários de drogas mantidas pelo município no local estão fechadas ou operando parcialmente.

 

Algumas foram inauguradas como pilares da política de tratamento de drogas da gestão do prefeito João Doria (PSDB) -que, na ocasião da operação, afirmou que a Cracolândia tinha acabado. Entre elas estão as unidades do Atende (Atendimento Diário Emergencial) e a tenda do Redenção, na Rua Helvétia, responsável pela recepção e triagem de dependentes para internação.

 

Entre as justificativas para o fechamento estão a necessidade de construir prédios habitacionais e danos no telhado de uma unidade após forte chuva.

A poucos metros do fluxo (como é chamada a principal concentração de usuários, localizada na Alameda Cleveland com a Rua Helvétia), as unidades de atendimento mais próximas dos dependentes estão fechadas. A Prefeitura de São Paulo diz que o terreno pertence à Parceria Público Privada (PPP) de Habitação e que “serviços estão temporariamente suspensos”.

 

Também na Rua Helvétia, a tenda do projeto Recomeço, da gestão Geraldo Alckmin, do governo do estado, está fechada com um tapume. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, "houve redução na demanda da tenda, o que evidencia a reorganização dos fluxos". "Comparando-se o balanço de atendimentos de maio e setembro, houve uma queda de 30% no mês passado – de 953 para 642 triagens na tenda", diz a nota.

 

O fechamento destes locais mudou a cara da região, onde antes se via a presença maior de profissionais da saúde e da assistência social.

 

Pequenos grupos de usuários também passaram a se concentrar no entorno, como na Rua Barão de Piracicaba e na Avenida Júlio Prestes.

Após a intensificação das revistas pessoais e das operações rotineiras de limpeza, feitas pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) com apoio da Polícia Militar, funcionários da assistência social relatam uma maior dificuldade ao abordar os usuários, que estão mais arredios.

 

Na manhã desta terça-feira (10), a reportagem do G1 flagrou um conflito entre usuários e a Polícia Militar após a operação de limpeza. Bombas de gás foram lançadas contra usuários, que, na fuga, roubaram pedestres que estavam na Praça Júlio Prestes.

 

Procurada, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) disse que duas pessoas foram presas em flagrante. "Um homem foi detido com drogas na Alameda Barão de Piracicaba, após a PM ser chamada para prestar apoio durante um confronto entre Guardas Municipais e usuários. Foi necessário uso moderado da força para conter o tumulto. Ninguém ficou ferido," diz a nota. A PM disse ainda que uma mulher também foi presa na praça por suspeita de tráfico e encaminhada ao Denarc.

A Secretaria de Segurança Urbana, pasta vinculada à Prefeitura e responsável pela GCM, disse que durante a ação desta terça não houve registro de confronto envolvendo guardas e usuários.

 

Veja a situação de cada equipamento de assistência social da Cracolândia:

 

- ATENDE 1:

Com as chuvas da semana passada, o local teve a cobertura danificada após uma ventania e o espaço de convivência foi interditado. A entrega de almoço e o pernoite funcionam normalmente.

 

O Atende 1 foi a primeira unidade de Atendimento Diário Emergencial a ser inaugurado, no dia 9 de junho, no estacionamento da sede da Guarda Civil Metropolitana, na Rua General Couto de Magalhães.

 

- ATENDE 2:

Serviço que funcionava mais próximo ao atual fluxo de usuários, na Rua Helvétia, está fechado. A prefeitura disse que o local foi fechado porque o terreno pertence à Parceria Público Privada (PPP) de Habitação e o equipamento “está sendo realocado” e os “serviços estão temporariamente suspensos para reforma da estrutura, que será reaberto nos próximos dias”. No entanto, não detalha o dia nem onde será o novo Atende 2.

 

Segundo relatos de funcionários, o equipamento está fechado há pelo menos duas semanas após o roubo de fiações e canos. A prefeitura não confirma o roubo.

O local foi inaugurado no dia 29 de junho. O espaço era equipado com 68 jogos de beliches e quatro camas de solteiro. Havia oito banheiros, divididos em masculinos e femininos e duas baterias de chuveiros elétricos, também divididos por gênero, no total de 20 cabines para banho. Eram servidas 500 refeições diariamente: 200 cafés da manhã, 100 almoços e 200 jantares.

 

- ATENDE 3:

O último a ser inaugurado, dia 13 de julho, na Rua General Rondon, é o único que funciona normalmente. Foi aberto após a prefeitura se comprometer com os moradores da região de que a duração neste endereço seria de no máximo de 120 dias.

 

- CAPS Redenção:

A tenda do projeto Redenção foi um dos primeiros equipamentos de saúde a ser instalado após a megaoperação policial na Cracolândia. Inaugurada dia 26 de maio, a tenda abrigava o contêiner intitulado de “Unidade Avançada” CAPSADIII, um Centro de Atenção Psicossocial, com a promessa de receber os usuários que queriam voluntariamente se internar. A estrutura contava com uma equipe multidisciplinar, com dois psiquiatras de plantão 24 horas.

 

Agora, o local abriga um terreno baldio e sujo. A prefeitura disse que o atendimento do CAPS passou a funcionar em frente ao local anterior, “sem prejuízo dos atendimentos”, no espaço que antes funcionava o programa Braços Abertos, da gestão Hadad. A prefeitura disse ainda que a tenda foi desmontada porque também pertencia ao terreno da PPP de Habitação.

 

 Projeto Recomeço:

A tenda do projeto Recomeço foi fechada, segundo funcionários que preferem não se identificar, após ação da GCM no local, no dia 28 de setembro. Segundo relatos dos profissionais, usuários invadiram a tenda para se abrigar da ação da polícia, e guardas-civis lançaram bombas de gás no local, com os profissionais de saúde dentro.

A Secretaria Estadual da Saúde não confirma e disse que a tenda "foi implantada como estrutura temporária para dar suporte ao Cratod e à Unidade Recomeço, durante a implantação desta última". Informou ainda que "houve redução na demanda da tenda, o que evidencia a reorganização dos fluxos".

 

O serviço de atendimento do Recomeço está sendo realizado no prédio do projeto, ao lado da tenda fechada com tapume.

 

- Centro Emergencial Prates:

À época da megaoperação, o Centro Emergencial Prates foi um dos escolhidos para receber os acolhidos da região da Cracolândia. Vans levavam ao menos duas vezes ao dia, da tenda na Rua Helvétia para o Centro emergencial, usuários que buscavam almoço ou pernoite. Em uma ocasião, a comida estava estragada.

 

O Centro Emergencial oferecia 300 vagas extras, além das 300 fixas. A Prefeitura informou que as vagas extras foram abertas para a Operação Baixas Temperaturas e “funcionou durante a vigência do plano – 17 de maio a 17 de setembro”.

 

Fonte: G1

 


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